Sindicato Interestadual das Indústrias Misturadoras, Envasilhadoras de Produtos Derivados de Petróleo
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Braskem pode comprar Quatto antes do Natal – 18/12/09
 
Brasil Econômico

Ricardo Rego Monteiro

As negociações entre Braslcem e Quattor com a Petrobras, para formar a maior petroquímica da América Latina, poderão ser concluídas na próxima semana, ainda antes do Natal. O Brasil Econômico apurou que, apesar das resistências dentro da própria Petrobras, o negócio vai envolver luna troca de ações e aporte adicional de US$ 2 bilhões aUS$ 3 bnhões na Quattor pelos incorporadores. Como resultado, a nova companhia, que manterá o nome Braskem, terá a Petrobras como minoritária com até 45% e um endividamento quatro vezes menor, compatível com o mantido hoje pela Braskem.

Oficialmente, o negócio deverá ser ammciado como uma megafusão das duas empresas privadas, a exemplo de outras operações semelhantes, como a aquisição da Perdigão pela Sadia, que resultou na BR Foods, e da Antarctica pela Brahma, que deu origem à Ambev. Na prática, porém, representará uma aquisição, que permitirá à Petrobras ampliar a atual participação na Braskem de 30% em uma fatia entre 40% e 50%.

Na quarta-feira, parte da família Geyer, entre os maiores acionistas da Quattor, desistiu de uma ação que impedia o negócio. Tal movimento representou o sinal verde para a retomada das conversas entre as três empresas. Sem maiores explicações, os proprietários da Vila Velha Participações, que controla a Quattor por meio do consórcio Unlpar, fecharam lun acordo cujos detalhes não foram revelados. Os entendimentos, no entanto, nunca pararam, mesmo com a concessão da liminar para os irmãos Joa-nita e Alberto Geyer.

Independentemente da liminar, no entanto, as negociações prosseguiram nos últimos meses, quando foi acertada a remoção de obstáculos financeiros. Para evitar problemas do passado, a Petrobras exige xun acordo de acionistas que assegure direitos de voto e veto nas decisões do conselho de administração da nova empresa.

“Além da troca de ações, o negócio vai envolver um aporte adicional de capital pelos novos controladores, que será necessário para reduzir a dívida da Quattor a um patamar adminis-trável”, revela o executivo, que pediu para não ser identificado. “Hoje, a Quattor tem uma relação dívida/ebitda equivalente a 10 ou 12, enquanto a da Braskem eqüivale a 3. O objetivo do aporte é reduzir a relação a três, de modo a não contaminar a estabilidade da operação.”

Na prática, uma relação dívida/ebitda de três significa que a empresa precisaria usar o triplo da geração de caixa para quitar o passivo total. Tal correlação é considerada admlnistrável, de acordo com o mesmo executivo, no caso da Braskem. A petroquímica controlada pelo grupo Odebrecht fechou o 3- trimestre com dívida de R$ 6,7 bilhões, mas com geração de caixa de R$ 438 milhões. Já a Unlpar encerrou setembro com dívida líquida de R$ 7,4 bilhões e geração de caixa de R$ 265 milhões.

Embora o negócio vá ao encontro do objetivo da Petrobras de tornar-se novamente protagonista do setor petroquímico, nem todos os executivos da estatal concordam com o modelo adotado. Uma ala na companhia defendia a aquisição, pura e simples, da Braskem e da Quattor, de modo a reeditar a verticalização existente no setor até o início da década de 90. Essa opção asseguraria à Petro-quisa, o braço petroquímico da Petrobras, o controle sobre todo o setor. O modelo que prevalece, no entanto, prevê o fortalecimento da posição da companhia, por meio da participação minoritária na Braskem. ¦