Sindicato Interestadual das Indústrias Misturadoras, Envasilhadoras de Produtos Derivados de Petróleo
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Petrobras abre nova fronteira em SE – 28/10/10
 
O Estado de S. Paulo
Nicola Pamplona e Kelly Lima
A Petrobrás anunciou ontem a descoberta de uma nova fronteira petrolífera no País, em águas ultraprofundas no litoral de Sergipe. Segundo a empresa, o primeiro poço perfurado encontrou volumes de petróleo superiores a qualquer descoberta na região. A empresa, porém, diz que é cedo para falar no potencial. No primeiro poço, encontrou “dezenas de milhões de barris”.
A descoberta foi comemorada pela empresa por se tratar de uma área com características geológicas semelhantes às da Bacia de Campos, maior produtora de petróleo do País, que tem a maior parte de suas reservas em rocha chamada turbidito. “A Petrobrás é reconhecida como empresa de águas profundas e fez escola nos turbiditos da Bacia de Campos”, comentou o gerente executivo de exploração da Petrobrás, Mário Carminatti.
A descoberta de petróleo anunciada ontem fica no bloco exploratório SEAL-M-426, a 58 quilômetros da costa de Sergipe. Apesar da pouca distância, a lâmina d’água (distância entre a superfície e o fundo do mar) na área é de 2,34 mil metros, maior do que a de Tupi, na Bacia de Santos, que gira em torno dos 2,1 mil metros. O poço ainda está sendo perfurado, em busca de objetivos mais profundos.
Além da semelhança geológica com a Bacia de Campos, a Petrobrás se animou com a qualidade do óleo encontrado no poço, que é do tipo leve, semelhante ao do pré-sal, com maior valor de venda no mercado internacional. A Petrobrás é hoje importador de petróleo leve, que é misturado ao pesado óleo nacional para maior produção de diesel em suas refinarias.
Águas rasas. Sergipe tem hoje pequena produção de petróleo no mar, na casa dos 8 mil barris por dia, em campos em águas rasas. O único campo produtor em águas profundas na região é Piranema, localizado numa lâmina d’água de 800 metros, a 90 quilômetros da nova descoberta. O projeto, que também tem óleo de boa qualidade, vem sendo usado pela Petrobrás para testar um novo tipo de plataforma, de casco cilíndrico, que resistiria melhor às oscilações das marés.
A Petrobrás tem duas concessões em águas ultraprofundas na área da descoberta e, segundo Carminatti, planeja a perfuração de novos poços em consequência da descoberta anunciada ontem. O compromisso inicial com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) prevê dois novos poços. “Mas não pretendemos parar por aí. Queremos fazer outras atividades na região”, afirmou Carminatti, durante entrevista para anunciar o início da produção definitiva de Tupi.
“Abrimos uma nova frente exploratória”, comemorou o executivo. A empresa inicia no ano que vem a busca por outra fronteira petrolífera, dessa vez na chamada margem equatorial brasileira, que compreende os Estados de Ceará, Piauí, Maranhão e Pará. A empresa conclui a avaliação de estudos sísmicos referentes a blocos na região e inicia, já em 2011, uma campanha de perfuração de poços.
“O triênio 2011/2012/2013 será muito acelerado com relação a perfurações na margem equatorial brasileira”, comentou Carminatti. Para o Ceará, por exemplo, estão previstos pelo menos dois poços para o ano que vem. A margem equatorial tem pouco histórico de atividade de exploração de petróleo, por causa do foco da Petrobrás, nas últimas décadas, em ampliar a produção das províncias petrolíferas da Região Sudeste, em busca da autossuficiência na produção de petróleo.
Atualmente, o Nordeste tem grande atividade petrolífera apenas em terra, em bacias já exploradas desde antes da descoberta das primeiras reservas gigantes de petróleo na Bacia de Campos. Sergipe, por exemplo, produz quatro vezes mais petróleo em terra do que no mar, segundo dados compilados pela ANP, que incluem também a produção de companhias privadas.
Além de Sergipe e Ceará, porém, é crescente a atividade em outras bacias marítimas, como Pará-Maranhão, onde Petrobrás e OGX têm concessões. Com base em relatório da consultoria De Golyer & McNaughton, a empresa de Eike Batista acredita ter reservas em torno de 447 milhões de barris de óleo equivalente (somado ao gás) em suas cinco concessões naquela bacia.